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PHDA no Adulto: Sintomas e Como Reconhecer os Sinais

  • Foto do escritor: João Ricardo Costa
    João Ricardo Costa
  • há 6 dias
  • 5 min de leitura
Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção.

A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode persistir até à idade adulta. Embora muitas pessoas associem a PHDA à infância, estima-se que uma proporção significativa dos indivíduos diagnosticados continue a apresentar sintomas e dificuldades funcionais ao longo da vida adulta.

Apesar disso, a PHDA no adulto continua frequentemente subdiagnosticada. Muitas pessoas passam anos a interpretar as suas dificuldades como falta de disciplina, preguiça, desorganização ou incapacidade pessoal, sem perceberem que estas experiências podem estar relacionadas com uma condição reconhecida clinicamente.

Neste artigo, exploramos os principais sinais da PHDA no adulto, como é feito o diagnóstico e de que forma o acompanhamento psicológico pode ajudar.


O que é a PHDA?

A PHDA é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes de atenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interferem com o funcionamento diário.

Embora os sintomas estejam presentes desde a infância, nem sempre são reconhecidos nessa fase. Em alguns casos, as dificuldades tornam-se mais evidentes apenas quando aumentam as exigências da vida adulta, como o trabalho, os estudos superiores, a parentalidade ou a gestão autónoma das responsabilidades do dia a dia.

Ao contrário da imagem tradicional da criança hiperativa, muitos adultos com PHDA apresentam sobretudo dificuldades relacionadas com organização, planeamento, gestão do tempo, procrastinação e regulação da atenção.


O que causa a PHDA?

A PHDA é considerada uma condição com uma forte componente genética. Estudos sugerem que fatores hereditários desempenham um papel importante no seu desenvolvimento.

Atualmente, acredita-se que a PHDA resulte da interação entre fatores genéticos e ambientais. Algumas complicações durante a gravidez ou no período perinatal podem estar associadas a um aumento do risco, mas não existe uma causa única que explique o aparecimento da perturbação.

É importante salientar que a PHDA não é causada por falta de esforço, falta de motivação, erros parentais ou ausência de disciplina.


Porque é que a PHDA pode passar despercebida durante anos?

Nem todas as pessoas com PHDA apresentam dificuldades evidentes na infância.

Algumas desenvolvem estratégias eficazes de compensação. Outras conseguem manter um bom desempenho académico ou profissional apesar do esforço significativo necessário para o fazer.

Por este motivo, muitas pessoas apenas procuram ajuda quando começam a sentir dificuldades mais acentuadas na gestão do trabalho, dos estudos, dos relacionamentos ou da vida quotidiana.


PHDA e funções executivas

Muitas das dificuldades associadas à PHDA estão relacionadas com aquilo que designamos por funções executivas.

As funções executivas incluem capacidades como:

  • Planear tarefas;

  • Organizar atividades;

  • Gerir o tempo;

  • Definir prioridades;

  • Regular impulsos;

  • Manter informação ativa na memória de trabalho;

  • Adaptar estratégias perante problemas.

Por isso, a PHDA não corresponde apenas a uma dificuldade de concentração. Muitas vezes envolve dificuldades em transformar intenções em ações consistentes, mesmo quando existe vontade genuína de realizar determinada tarefa.


Sinais frequentemente associados à PHDA no adulto

A PHDA manifesta-se de forma diferente em cada pessoa. No entanto, alguns sinais são frequentemente observados em adultos com esta condição.

Dificuldade em organizar tarefas e atividades

Pode ser difícil criar sistemas de organização, manter rotinas ou acompanhar várias responsabilidades em simultâneo.

Procrastinação frequente

Mesmo tarefas importantes podem ser adiadas repetidamente, sobretudo quando exigem esforço mental prolongado.

Dificuldade em gerir o tempo

É comum subestimar o tempo necessário para concluir tarefas ou sentir que existe uma luta constante contra os prazos.

Esquecimentos frequentes

Compromissos, objetos pessoais, pagamentos ou tarefas pendentes podem ser esquecidos com maior frequência.

Dificuldade em manter a atenção

Durante reuniões, leituras ou conversas mais longas, a atenção pode desviar-se involuntariamente.

Distração fácil

Ruídos, pensamentos ou estímulos aparentemente irrelevantes podem interromper a concentração.

Dificuldade em concluir tarefas

Iniciar projetos pode ser relativamente fácil, mas terminá-los nem sempre acontece com a mesma facilidade.

Inquietação interna

Embora a hiperatividade física possa diminuir com a idade, muitos adultos descrevem uma sensação persistente de inquietação mental ou necessidade constante de estar ocupados.

Impulsividade

Interromper outras pessoas, tomar decisões precipitadas ou agir sem considerar todas as consequências são exemplos possíveis.


Consequências frequentes da PHDA

Nem todas as dificuldades vividas por pessoas com PHDA fazem parte dos critérios de diagnóstico. No entanto, algumas consequências surgem frequentemente ao longo do tempo.

Estas podem incluir:

  • Ansiedade;

  • Frustração recorrente;

  • Baixa autoestima;

  • Sensação de potencial desaproveitado;

  • Dificuldades nos relacionamentos;

  • Problemas profissionais ou académicos;

  • Burnout associado ao esforço constante para compensar dificuldades.

Estas experiências não são sintomas centrais da PHDA, mas podem resultar do impacto acumulado das dificuldades ao longo da vida.


PHDA, ansiedade ou ambos?

A PHDA e a ansiedade podem partilhar algumas características, como dificuldades de concentração, inquietação ou sensação de sobrecarga.

No entanto, tratam-se de condições diferentes.

Além disso, é relativamente frequente que pessoas com PHDA desenvolvam ansiedade secundária às dificuldades que enfrentam no quotidiano.

Por esse motivo, é importante realizar uma avaliação clínica cuidadosa em vez de assumir automaticamente uma explicação para os sintomas.


Como é feito o diagnóstico de PHDA no adulto?

O diagnóstico da PHDA é realizado através de uma avaliação clínica.

Esta avaliação procura compreender:

  • Os sintomas atuais;

  • A história de desenvolvimento da pessoa;

  • A presença de dificuldades desde a infância;

  • O impacto dos sintomas em diferentes contextos de vida;

  • A existência de outras condições que possam explicar as dificuldades apresentadas.

Não existe um exame de sangue, exame de imagem ou teste único capaz de confirmar o diagnóstico.


Como a terapia pode ajudar?

O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender melhor o impacto da PHDA e a desenvolver estratégias adaptadas às necessidades individuais.

Dependendo das dificuldades apresentadas, a terapia pode ajudar a:

  • Melhorar a organização e planeamento;

  • Desenvolver estratégias de gestão do tempo;

  • Trabalhar a procrastinação;

  • Reduzir a autocrítica;

  • Gerir emoções difíceis;

  • Melhorar relacionamentos interpessoais;

  • Aumentar a flexibilidade e adaptação às exigências do quotidiano.


Quando procurar ajuda?

Se se identifica com vários dos sinais descritos neste artigo e sente que estas dificuldades afetam significativamente a sua vida pessoal, académica ou profissional, poderá ser útil procurar uma avaliação especializada.

Compreender melhor o seu funcionamento pode ser um passo importante para desenvolver estratégias mais eficazes e melhorar a qualidade de vida.


Perguntas Frequentes sobre PHDA no Adulto

Como saber se tenho PHDA?

A identificação com alguns sinais de PHDA não significa necessariamente que tenha esta condição. Apenas uma avaliação clínica adequada pode determinar se os sintomas são consistentes com um diagnóstico de PHDA.

A PHDA pode surgir apenas na idade adulta?

Não. Os sintomas estão presentes desde a infância, embora possam apenas ser reconhecidos ou valorizados mais tarde.

Posso ter PHDA mesmo tendo tido boas notas na escola?

Sim. Algumas pessoas conseguem compensar as suas dificuldades durante muitos anos e manter um desempenho académico elevado, especialmente em ambientes estruturados.

A PHDA tem tratamento?

Sim. O tratamento pode incluir acompanhamento psicológico e acompanhamento médico.


Considerações finais

A PHDA no adulto continua a ser frequentemente mal compreendida. Muitas pessoas passam anos a interpretar as suas dificuldades como falhas pessoais, quando estas podem estar relacionadas com uma condição do neurodesenvolvimento.

Uma avaliação adequada não serve apenas para atribuir um diagnóstico. Pode também ajudar a compreender padrões de funcionamento que acompanharam a pessoa durante anos e abrir caminho para formas mais eficazes de lidar com os desafios do quotidiano.

 
 
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